O que quero escrever é sobre o ano de torcedor que tive. O
ano!
Não é apenas escrever que o meu time ganhou uma Libertadores
invicto e foi campeão do mundo. É contar uma história de 19 anos. É lembrar de
como tudo começou. É celebrar mais que uma vitória, é vivenciar isso como
cultura.
Torcer para o Corinthians já há algum tempo foi mais que ter
o sentimento de ganhar, empatar ou perder. Mais que um jogo. Ter notícias, ouvir
e assistir jogos desse time são parte de uma vida que por alguns anos vivia
meio isolada. Na monotonia de dias estava ali a companhia. Virou comunhão.
Não nasci Corintiano. Tornei. O que acho até mais saudável. O
direito da escolha. E depois saber que a escolha foi certa. Em 1993 fiquei sabendo
do 1x0 naquele timaço que o São Paulo tinha pelas semi-final do paulista.
Lembro que fiquei feliz com a notícia. No primeiro jogo da final contra um
outro timaço, o do Palmeiras ou da Parmalat, também fiquei contente com a
notícia da vitória.
No jogo final, já estava em frente a TV, tremendo de nervo, querendo que aquele time de branco e preto vencesse. Perdeu feio. Foi goleado pelo Palmeiras de Edmundo e Evair. Ótimo! Pois ali já entendi que gostar daquele time tinha que ser a qualquer custo. Principalmente quando perdesse.
No jogo final, já estava em frente a TV, tremendo de nervo, querendo que aquele time de branco e preto vencesse. Perdeu feio. Foi goleado pelo Palmeiras de Edmundo e Evair. Ótimo! Pois ali já entendi que gostar daquele time tinha que ser a qualquer custo. Principalmente quando perdesse.
Veio 1994, mais um ano de freguesia. Embora eu visse o 1º título do tal Corinthians. Copa Paulista ou Bandeirantes. Em cima do Santos.
Aí veio 1995 e o desabafo. Primeiro título que vi nacional.
Uma Copa do Brasil impecável. Depois o paulista em cima daquele time que me fez
mais Corintiano, o Palmeiras. O menino gritou e chorou.
O tempo passou. Todos os títulos nacionais vieram aos meus
olhos. Mas... tinha a tal Libertadores.
Decepção para esse pobre em 1996. Muita, mas muita decepção
em 1999 e 2000. Para o Palmeiras é doído demais. Ainda mais quando se tinha um
time melhor e com domínio total dos jogos.
Naqueles segundos desesperadores veio o pensamento em não sofrer mais
por isso. Ufa! Passou.
Queda para segunda divisão. E nos segundos desesperadores o
pensamento era, sou mais Corintiano. E na segundona ali estava assistindo quase
todos os jogos. Só perdi dois. Um que foi na quarta e coincidiu com prova na
faculdade e outro quando o time já havia voltado para o seu lugar. Claro, jogo
fácil não é para Corintiano.
E a Libertadores, afinal? Teve mais pancada. Lá em 1993
jamais imaginava que um tal Tolima fosse fazer parte dessa história. E fez. Era
o último golpe.
Aqui estou escrevendo no último dia do ano em que aquele time de camisa branca e calção preto que eu comecei a gostar ganhou a tal Libertadores da América sem perder um jogo. Aqui escrevo para contar que jamais torcida nenhuma fez o que a do tal Corinthians fez. Aqui estou lembrando de quando falava que era corintiano e riam de mim. Aqui escrevo que vi além do espetáculo da torcida, o tal Corinthians ser campeão do Mundo no Japão. Teria que ser místico assim.
O ritual que tanto cobravam de vencer a Libertadores e depois ganhar no Japão. Não um jogo organizado por uma empresa de automóvel, mas sim um campeonato organizado pela Federação Internacional de Futebol, que inclusive teve a participação do representante da casa. Mundial com todos os continentes. Por todos os meios de comunicação vi o tal Corinthians fazer dessa final, a mais importante de todas.
Presenciei o fim das piadas. E inicio um ciclo que contradiz
1993. Deixei de torcer tanto pelo time, perdeu a graça. Já vi ele ganhar tudo.
Depois do que assisti em 2012, sou torcedor da torcida desse tal Corinthians.
Aliás, apreciador dessas duas espécies culturais.
Se será um 2013 de vitórias, eu não sei. Mas não me importa.
Pois, eu quero é ver em cena o movimento cultural Corinthians.
Sim, isso deixou meu 2012 bem melhor! Vai, Corinthians!
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Foto extraída do link: brunoangelossiubirata.blogspot.com.br |