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Imagem extraída do site .virtuallost.com |
O título veio da frase dita por Lívia Louise quando, puto da vida, disse a tal sobre a banalização que o Facebook está virando. Mesmo sabendo do seu ego mordido de marimbondo, inchadaço, reconheço que a frase é boa. Espero que seja dela realmente.
Simples: eu disse que o Facebook já estava se tornando o Orkut com tanta gente usando o coitadinho para simplesmente mostrar as fotos no álbum e dizer aonde vai e o que fez para o maior número de pessoas possível. Debate pronto, ela mandou a frase que escolhi para o título e que acho correta para tal discussão.
O fato da pessoa querer ter um Facebook, buscar, enfim, uma nova rede social não me incomoda, pelo contrário, quero mais é que as pessoas usem essas ferramentas que são bacanassímas, desde que não fiquemos bitolados em ver fotos, apenas fotos o tempo todo aparecendo no mural. Este, inclusive, acho que é o grande motivo no qual o Twitter não vingou no Brasil. Não tiveram a rotatividade cerebral suficiente para ver que é possível fazer um álbum no Twitter sim, como no Twitipic, por exemplo. E ainda bem que não tiveram, pois teriam estragado esta preciosidade também. Além, claro, de a figura te seguir sem te encher já que, se você não aceita, ela não te torra e ao mesmo tempo, está lá te vendo. Por obviedade, não lhe vai interessar não aparecer para você, porque o que vale mesmo para um bom exibidor de si, ego inflamado, ilusão de pop star e coloridinho por natureza, é aparecer.
Pois como dizia ou escrevia, não me importo do modismo em ter Facebook, ou seja lá qual rede social tiver. Retorço-me e faço biquinho de cú de galinha quando os fulanos resolvem fazer um bendito perfil numa rede. Atualmente a moda é o face, só para entrar no modismo, porque todo mundo tem. Se quer as “Marias vão com as outras” (o termo serve para eles e elas) do mundo virtual pesquisam sobre a tal.
Recentemente, recebo uma enxurrada de pedidos para que eu “add” no meu já quase Rio Tietê cibernético. Sim! Meu Facebook está à beira de virar um lixo. Uma poluição só de pedidos que chegam sem o Cristovaldo Tchutchucão dizer quem é e o motivo que me enviou o convite, a Susurrete Aguiar Abundância a mesma coisa, tem também o convite que chega lá da Serra do Marolo Virgem (aquele que nunca foi comido), você não sabe onde é o lugar, nunca viu o cidadão e o diarréia, para minha paciência, não manda uma mensagem dizendo o motivo que está adicionando. E pior, se você pergunta, a maioria não responde e quando responde, te acha arrogante, metido, chato, essas coisinhas que a baixa auto-estima causa nos seres desprovidos de certa intelectualidade, seja ela “decorativista” ou “criativista” (a minha).
Não condeno também quem não sabe mexer nessas parafernálias eletrônicas e queira montar essa birosca. Mas convenhamos, seria bem menos estressante se os e as bacanas vissem primeiro como funciona para não encher a bolsa escrotal da mente de quem gosta de usar a geringonça dentro de suas belas funcionalidades.
Neste exato momento em que desabafo minhas tretas virtuais (22h34) do dia 25 de julho de 2011, vou para cima e para baixo com a barra de rolagem e vejo que vejo gente que acabou de adicionar 212.121.2146.565.652.659.306.698 de amigos. Fui até o perfil desses e vejo que não há uma postagem se quer. A não ser, claro, uma foto ali, outra aqui, o álbum cheio daqueles momentos do churrasquinho na laje ao som do MC Cotoco e o sertão “univercity” de Lázaro Fusquinha.
No mês passado, vi lá o primeiro e único post no mural de um cidadão que dizia: “obrigado pelos parabéns galera”. Depois eu é que sou artista (mensagem subliminar). O tal cidadão aí, toda hora aparece atualização dele no meu Facebook dizendo que o fulano adicionou sei lá quem no perfil dele.
Agora apareceu um tal de “se você concorda, acredita ou sei lá o quê, copie e cole no mural”. Até não acho a idéia de se jogar fora. Mas a velha mania “burrônica” de não dar crédito a quem cria uma frase ou texto quando o criador não é alguém conhecido.
Se a frase é do Mário Quintana, que quase todo mundo sabe, vão lá e dão crédito. Se a frase é de um pobrezinho, vão passando para frente como se a criação fosse deles. O ideal é valorizar sempre o autor de qualquer criação, seja famoso ou não. Mas na pior das possibilidades, valorize o seu colega não conhecido, pois algo do Quintana, por exemplo, uma hora será facilmente identificado. Já o coitadinho, filho do anonimato, não. Sacanagem, não acha?
Mas o que vale é se mostrar neste mundinho “facebookiano” e não, ao menos às vezes, reconhecer algo do outro.
Sinto-me tão inocente nesse mundinho buscando aprendizado, tentando fazer bom uso dele, que o Facebook é diferente, capaz de cultivar uma rede social rumo a alguma evolução nos miolos da sociedade internauta do país que Cabral achou quando brincava de pique esconde com seu primo Manuel e o escambau...
É Facebook. Eu já te defendi, te divulguei e não sei se fiz a coisa certa. Mas sei, meu caro camarada virtual, que a culpa não é sua. Sei que, se pudesse, você seria como no mínimo um ano atrás aqui no país da Pamonha de Piracicaba onde não te confundiam com o seu rival Orkut.
E cá para nós, quando gostam da gente é satisfatório, mas quando gostam da gente porque acham que nos parecemos com alguém que não nos damos bem, é algo desconfortável, no mínimo. Eu te entendo, Facebook. Sei que te irrita ver tanta gente que não me conhece, que jamais viu o meu perfil e manda aquele convite sem dar uma migalha de explicação.
Sei que te magoa, Facebook, ver pessoas que só te quiseram para colocar as fotos das festinhas e do empreguinho de status e para exibir a data do aniversário para receber os parabéns.
Sei que você está beirando a depressão por tanta gente falar de você apenas para satisfazer o ego delas, sem buscar uma forma de informar, de interagir de acordo com o que você proporciona.
É Facebook, não é fácil, my brother. Mas diante de todas suas decepções com esses mal criados das redes sociais que azedaram seu humor, te digo face: pior é ter escrito isso tudo e saber que apenas os que te entendem vão ler. E os que realmente precisavam ler, que são esses infelizes citados no texto, é claro que não vão ler um texto deste tamanho. Pois irão perder muito tempo e neste tempinho dá para pedir para adicionar mais 598.956.5 pessoas e criar mais 89 álbuns das festinhas com as “periguetes” da faculdade, do churrasquinho de gato seco e da viagem a Ubatuba que foi regada com aquela cochinha amanhecida.